segunda-feira, 14 de novembro de 2011

FALANDO UM POUCO DE GÊNERO


Para Ângela Rodrigues em seu artigo “Considerações sobre o gênero (masculino / feminino) e resposta a Vinicius de Moraes”, “Gênero {...} é um conceito criado na década de 70 para explicitar que sexo social não é determinado pelo sexo biológico {...} não tem base biológica nem cultural, é uma lógica de pensamento, emoções e representação da subjetividade íntima das pessoas.”

No artigo “Gênero, reestruturação, produtiva e trabalho”, Cássia Maria Cartolo (2002) afirma que a divisão sexual do trabalho é uma constante na história das mulheres e homens. As explicações para tal fato muitas vezes se apoiaram num determinismo biológico, a partir do papel das mulheres na reprodução biológica, divisão esta carregada de significados e de práticas, que mudam conforme os diferentes tipos de sociedades e seu momento histórico. Tem-se que o trabalho das mulheres, na formação social capitalista, não foi apenas diferente, mas, também, um trabalho que não recebe a mesma valorização e conseqüente remuneração atribuída ao trabalho masculino. Conforme Harvey (1992), nas últimas décadas houve um re ordenamento, não só quanto ao mercado de trabalho, mas, também, nas relações familiares. Valores tradicionais em relação à família, à sexualidade e à maternidade passam a ser reformulados, alterando-se práticas quotidianas. Mas, apesar dessas transformações a entrada em massa das mulheres no mercado de trabalho representou uma mudança revolucionária na vida dessas. Elas ainda continuam responsáveis pelas atividades reprodutivas e cuidados com a casa e com os membros da família e, ainda, são vistas como aquelas que apenas "ajudam no orçamento familiar".

As dificuldades das mesmas aumentaram apesar de há muito tempo, mostrar-se novos modelos de sociedade através de personagens do sexo masculino que desenvolvem tarefas caseiras. A análise destes conceitos permite entender porque homens, geralmente, escolhem profissões como medicina e engenharia e não enfermagem e secretariado, por exemplo, como relata Araujo (2007).

Há muita literatura sobre mulheres em profissões masculinas, seus esforços para enfrentar as dificuldades que encontram. Entretanto, pouco se fala sobre homens na mesma situação conforme afirma Araujo (2007). Para ele as tentativas para diminuir a igualdade entre os gêneros vêm se intensificando a cada década e o resultado desta luta pode ser percebido, principalmente, por conquistas femininas em várias instâncias. Mas o equilíbrio só poderá existir no momento em que houver uma grande mudança nos conceitos do que é trabalho para mulheres e o que é trabalho para homens, conforme Araujo (2007). Por isso que a compreensão destas questões de gênero é essencial para entender como a sociedade construiu as definições do que é “ser feminino” e “ser masculino”. Em função do desequilíbrio que, às vezes, pode ocorrer o que se denomina de assédio, que são reconhecidos como moral e sexual.

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